Síndrome que afeta maior parte dos ex-tripulantes? Síndrome
pós desembarque,
Falsa ou verdadeira?
o Texto a seguir Eu achei bem
interessante, e trazendo pro lado dos tripulantes que vivem a experiencia de
estarem embarcado navegando pelo mundo, Eu vi algo muito comum acontecer com a
maioria. Sair, expandir, explorar em uma continuação pelo mundo a fora. A
maioria dos ex tripulantes que Eu conheco hoje estão fora do Brasil, por N
motivos, ou muitos que estão já planejando parar, escutei coisas do tipo:
planos em busca de um lugar pra viver ou morar, ou um país na qual esteve e
gostou muito e pretende seguir ali;
Interessante isso; O mundo se torna pequena e possivel
depois de conhecer boa parte dele, o desejo de querer mais e conhecer mais,
pode existir em muitos;
confira o texto, vale a pena a leitura
‘Síndrome do retorno’ afeta migrantes na volta à terra natal
Estima-se que, para cada ano vivido fora, as pessoas demoram
pelo menos seis meses para se acostumar novamente à vida no país
Após dois anos e meio
na Califórnia, a carioca Silvia Moreno, então com 19 anos, retornou ao Rio de
Janeiro para concluir a universidade. Mas não imaginava que o sonho da volta
para casa viraria quase um pesadelo. A cabeça estava nos Estados Unidos. Tudo era
estranho. Sobravam brigas com o namorado, que a acusava de falar somente sobre
a experiência americana. Demorou para ela compreender que o estresse de se
readaptar pode ser tão grande quanto as dificuldades de emigrar. Silvia não
sabia, mas sofria de algo conhecido como a "síndrome do retorno", que
acomete aqueles que voltam à terra natal após temporadas no exterior.
“Assim que cheguei, foi ótimo, estava com saudades dos
amigos, da família, da comida. Mas logo passou. Eu não achava graça em nada no
Brasil. O primeiro ano foi traumático. Não conseguia voltar ao meu círculo de
amigos. Pensava em San Diego o dia todo. Foi muito duro. Sempre digo que, se
não tivesse aquela experiência, talvez hoje eu fosse mais feliz, estaria mais
resignada com o fato de viver aqui”, conta a arquiteta, hoje com 37 anos.
Embora não haja estatísticas oficiais, sintomas como
alienação, tédio e isolamento afetam muitos dos que retornam após anos imersos
em outras línguas e culturas. E não apenas brasileiros. Em qualquer lugar, a
chegada à terra natal pode levar à sensação de perda de identidade e à
depressão. Quem volta se dá conta de que mudou para se adequar ao novo país. E,
além disso, muitos acham que essas mudanças são percebidas “em casa” como algo
esnobe: quem ficou não entende que o recém-chegado agregou outros registros
culturais à personalidade.
Retorno em forma de "U"
Especialista em psicologia intercultural, Andrea Sabben
destaca que, para cada ano fora, os migrantes demoram ao menos seis meses para
se readaptar. O regresso tem o formato da letra U: primeiro vem a euforia da
chegada, depois, uma curva descendente de insatisfação até, finalmente, uma
linha ascendente. O paradoxo da migração é ampliar horizontes e, ao mesmo
tempo, atrofiar raízes, diz.
"Quando você fica muito tempo fora, perde a
espontaneidade, a cumplicidade com seu país. Começa a estranhar e questionar,
pois teve vínculos sociais, espaciais e temporais mudados no país de destino e
rompidos no local de origem, sendo necessário reconstruí-los. Essa ferida do
retorno é uma dor real, mas não uma doença mental ou transtorno psicológico. É
um desajuste situacional multifuncional, pois depende de várias circunstâncias.
Espera-se que a pessoa passe por um período de luto e volte", explica a
psicóloga. A sensação de estar perdida entre dois mundos é diária para
a designer Ana Fucs. Aos 36 anos, ela passa pela
“síndrome do retorno” pela segunda vez. Já morou na França
por quase três anos, voltou ao Brasil e, no ano passado, deixou o emprego para uma temporada de
especialização nos Estados Unidos. Há três meses de volta ao Rio, ela não
supera as crises de irritação.
“Depois de viver fora, é desgastante ver como as coisas não
acontecem aqui. Tudo é burocrático, as pessoas não têm noções de espaço e
cidadania. Por que nós, brasileiros, não sabemos sequer nos colocar do lado
direito da escada rolante para facilitar a vida dos outros? Aqui falta
consciência de que as ações de cada um têm impacto coletivo”, queixa-se. Cada vez mais comum no mundo globalizado, o fenômeno foi
identificado pela primeira vez na Primeira Guerra Mundial, quando neurologistas
perceberam que os deslocamentos tiveram impacto psicológico sobre militares e
civis na Europa. No Brasil, os estudos ganharam força através do
neuropsiquiatra Décio Nakagawa, que nos anos 1980 pesquisou a frustração dos
decasséguis que retornavam após longas temporadas de trabalho em fábricas no
Japão.
"Quem sai sabe que tudo será diferente, mas não imagina
que, na volta, vai se sentir diferente em casa. É inesperado, um choque
cultural reverso. É difícil dizer quantas pessoas são afetadas e em que
medida", afirma o professor de Psicologia Ademir Pacelli, da Universidade
do Estado do Rio (Uerj). Não há fórmula mágica contra o estranhamento. Mas, pode-se
manter a calma e buscar ajuda. O Itamaraty mantém na internet o "Portal do
Retorno" com informações práticas sobre abertura de pequenos negócios,
previdência social e documentação. Estima-se que cerca de 3,1 milhões de
brasileiros vivam no exterior – a maioria, 1,3 milhão, na América do Norte. Mas, se no rastro da crise econômica global de 2008 a
tendência era de regresso – o Itamaraty calcula que ao menos 500 mil
brasileiros retornaram entre 2008 e 2012 –, hoje o movimento parece inverso.
Não faltam candidatos a experiências além-mar neste ano de economia em marcha lenta
no Brasil.
“Tenho pensado em voltar para a Europa. Demorei para me
acostumar após seis anos na Espanha. Estou no Rio há quatro e até hoje deixo
escapar gírias em espanhol. É mais forte que eu. Se estou lá, sinto falta do
Brasil. E se estou aqui, sinto falta da Espanha. Tenho medo ficar como um ioiô,
indo e vindo, mas tenho mais medo de não arriscar e passar o resto da vida
insatisfeita”, afirma a advogada Mariana Castro, de 29 anos.

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